Na tarde do dia 16 de Setembro de 2025, a FOUSP teve o prazer de receber o Coordenador Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Prof. Dr. Edson Hilan Gomes de Lucena. Sediado no Anfiteatro Myaki Issáo, o evento foi promovido pela disciplina de Saúde Bucal em Odontologia.

A Profa. Dra. Simone Rennó Junqueira, do Departamento de Odontologia Social, introduziu o palestrante e agradeceu a presença de todos, sendo complementada pelo Prof. Dr. Celso Zilbovicius, do mesmo departamento, que ressaltou a importância do tema que seria abordado: “Os desafios da gestão na saúde bucal no SUS”.

O palestrante iniciou sua fala comentando sobre o fato da saúde bucal no Brasil ter sido elevada à condição de política de Estado, integrando a Lei Orgânica do SUS, transcendendo a visão de um mero programa governamental como o Brasil Sorridente. O Coordenador Geral de Saúde Bucal no Ministério da Saúde, destacou essa transformação, enfatizando a saúde bucal como um direito da população brasileira.

A política se estrutura em uma rede que inclui atenção primária (equipes de saúde bucal), Centros de Especialidades Odontológicas (CEO), e atenção hospitalar, com reconhecimento das instituições de ensino. Contudo, um desafio central é a conexão efetiva desses pontos na rede, fazendo com que muitas instituições de ensino, apesar de prestarem vastos atendimentos, não estejam formalmente integradas à rede. A respeito dessa questão, o Prof. Dr. Edson provocou os alunos de forma proporcionar um debate, refletindo sobre a participação ou não da FOUSP na rede.

Em seguida, ele apresentou dados que mostram como o país enfrenta baixa cobertura de equipes de saúde bucal, com 32 mil equipes frente a um potencial de 58 mil, resultando em muitos consultórios sem dentistas e municípios sem atendimento odontológico na atenção primária. Há também disparidades significativas, com populações vulneráveis apresentando piores índices de saúde bucal e menor acesso ao dentista, mesmo em locais com maior oferta. Para enfrentar esses desafios, o Ministério da Saúde tem investido em Unidades Odontológicas Móveis, que ampliam o acesso em áreas remotas e oferecem especialidades, e em saúde digital (TeleOdonto), que permite teleconsultas, telediagnósticos e tele-educação, visando conectar a rede e superar barreiras geográficas.

Portanto, conclui-se que a saúde bucal no Brasil deixou de ser um mero programa para se consolidar como uma política de Estado e um direito fundamental da população, Apesar dos significativos avanços, como a ampliação da rede Brasil Sorridente com Unidades Odontológicas Móveis e a crescente integração da saúde digital (TeleOdonto), ainda persistem desafios cruciais, como a baixa cobertura de equipes de saúde bucal, a necessidade de conectar efetivamente os diversos pontos da rede (UBS, CEOs, hospitais e instituições de ensino) e o combate às profundas desigualdades no acesso para populações vulneráveis. Dessa forma, a política conclama os cirurgiões-dentistas do serviço público a adotarem uma postura proativa, buscando ativamente aqueles que mais precisam de cuidado para garantir a equidade.

A Faculdade de Odontologia, por meio de seus docentes e alunos, agradece a valiosa discussão, reafirmando seu compromisso em colaborar e estimular essa política fundamental para o país.

Texto e fotos: Marina Colmanette