Na manhã do dia 3 de dezembro de 2025,no prédio da Reitoria da USP, ocorreu o evento “Sentir para Conhecer: Monumentos da USP Impressos em 3D”, projeto que exibe a intersecção entre arte, tecnologia e inclusão.
A abertura foi realizada pela Profa. Dra. Marli Quadros Leite, docente titular da FFLCH e Pró-Reitora de Cultura e Extensão Universitária da USP, demonstrando grande satisfação em poder organizar e participar do evento, que, inclusive, faz parte da “Virada Inclusiva” de São Paulo, em que milhares de pessoas com deficiência têm acesso a uma programação cultura, educativa e esportiva.
A palavra foi passada ao Prof. Dr. Ingnácio Poveda Velasco, docente titular da Faculdade de Direito da USP e representante da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo. Em sua fala, destacou o seu envolvimento em políticas públicas e tecnologia assistiva, bem como sua intenção de transformar o “abstrato” (pesquisa) em algo concreto, que chegue à população que precisa.
Em seguida, o projeto foi apresentado pelo Prof. Dr. Paulo Eduardo Capel Cardoso, docente do Departamento de Biomateriais e Biologia Oral da FOUSP. Ele focou no lançamento da “pedra fundamental”, que visa dar um “tom cultural” à acessibilidade para pessoas com deficiência visual. O projeto envolve parcerias com especialistas em mapas táteis e impressão 3D, e o escaneamento, via drone, de monumentos da USP, como o do Professor Armando Salles de Oliveira. Ele disse, ainda, que o objetivo final é criar “monumentos falantes”: além da réplica com as informações em braile e tinta, os modelos incorporarão uma tecnologia específica capaz de falar quando tocados, oferecendo áudios personalizados para diferentes público-alvo.
O evento contou com a participação do Diretor da FOUSP, Prof. Dr. Giuseppe Alexandre Romito.
O artista plástico Rogério Ratão, então, apresentou a “Série Sinus”, nome de derivação grega, que remete à sinuosidade, característica muito presente em seu trabalho. Ratão continua dizendo que as primeiras peças foram abstratas, mas passaram a ganhar formas humanas, como cabeças e mãos. Para ele, as artes visuais são importantes mesmo para as pessoas com deficiência visual, e não apenas a literatura ou música.
Durante a fala do Prof. Dr. Paulo Capel e do Sr. Rogério Ratão, o envolvimento da Profa. Dra. Fabiana Lopes de Oliveira, docente da FAUD-USP, no projeto foi essencial: de acordo com eles, ela sempre se mostrou pró-ativa no assunto e construiu pontes entre pessoas-chave nesse processo.
Posteriormente, a pesquisadora do Instituto Renato Archer e pianista, Sra. Fabiana Bonilha, enfatizou a importância da acessibilidade cultural para que as pessoas com deficiência visual tenham acesso pleno a todas as formas de arte. Em prol disso, Fabiana desenvolve pesquisas relacionadas a tecnologias para transcrição de partituras em Braille. Ela terminou dizendo que as obras em 3D é fundamental para permitir que as pessoas conheçam os monumentos por meio do tato, já que seria impossível para uma pessoa com deficiência visual tatear integralmente uma obra de, por exemplo, 20 metros de altura.
O evento foi finalizado com a apresentação de 3 músicas tocadas no piano, pela Sra. Fabiana Bonilha. Foram elas: “Valsa Brilhante Op. 34 No 2” de Frédéric Chopin; “Clair de lune” de Claude Debussy; e “Noite Feliz” de Pedro Sinzig.
Texto e Foto: Théo Gouvêa Filizzola.


