Camila Costa, egressa da FOUSP, foi recentemente aprovada na residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP). Ela conta um pouco de sua trajetória acadêmica.
Minha jornada com a Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial começou desde o início da graduação. Tive afinidade com outras especialidades, como a Odontopediatria, porém nada fazia meus olhos brilharem como a cirurgia e a traumatologia.
Durante a graduação, fui monitora de Anatomia Geral no ICB e de Cirurgia Odontológica na FOUSP. Além disso, tive a oportunidade de atuar por cerca de dois anos e meio em projetos de iniciação científica com a Profa. Dra. Emanuela Prado, da FORP, e com sua doutoranda da época, hoje doutora, Natália Bueno. Ambas foram de suma importância para que eu iniciasse meus estudos na área com afinco e compromisso. Foram anos de intenso aprendizado acadêmico e científico.
Também exerci a função de representante discente do Departamento de Cirurgia e fui presidente da Liga de Cirurgia Oral e Maxilofacial (LICOMF) em 2023, período em que tive o privilégio de organizar o retorno das atividades clínicas após a pandemia. Foi um momento extremamente desafiador, pois estávamos há muito tempo sem atendimentos clínicos e, juntamente com toda a gestão, conseguimos, com grande esforço, reativar a clínica da liga. Esse processo foi muito recompensador, pois tive a oportunidade de atuar, semanalmente, em casos de hipercementose, terceiros molares inclusos e em pacientes com histórico de fissura labiopalatina.





Não poderia deixar de mencionar o Prof. Dr. João Gualberto Cerqueira Luz, docente responsável pela LICOMF, com quem tive a sorte de trabalhar por seis anos. Ele é minha principal fonte de inspiração e exemplo profissional. Ao seu lado, aprendi não apenas técnica cirúrgica, mas também manejo clínico, acolhimento ao paciente e perseverança.
O caminho até a aprovação na residência não foi simples; na verdade, foi bastante tortuoso. Em 2025, das quatro vagas disponíveis no Hospital das Clínicas, alcancei o quinto lugar. Na Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, obtive aprovação, porém não pude realizar a matrícula devido à ausência do número oficial do CRO, que foi emitido apenas 24 horas após o encerramento do prazo.
Diante desse cenário, confesso que pensei em desistir. Acreditei, por alguns momentos, que talvez não fosse para ser. Ainda assim, decidi insistir mais uma vez, voltei a estudar, conciliei trabalho, cursos e a preparação para as provas. Foram meses de abdicação, esforço e muita incerteza, mas, quando a tão esperada aprovação chegou, tive a certeza de que tudo havia valido a pena. Ao longo desse caminho, também contei com o apoio essencial de pessoas que estiveram ao meu lado nos momentos mais difíceis. O incentivo do meu namorado, Luiz Lemos, e a presença constante das minhas amigas Fernanda Lopes, Fernanda Eldina e Ingrid Carvalho foram fundamentais para que eu seguisse firme, mesmo diante das incertezas.
Espero seguir estudando e operando cada vez mais, acreditando sempre que aquilo que é verdadeiramente nosso encontra, de alguma forma, um caminho para chegar até nós.
Texto e fotos: Camila Costa – @caa.costa

