No dia 14 de abril de 2026, no Auditório do CRAI, foi realizada uma palestra ministrada pelo Prof. Dr. Rubens Spin‑Neto, docente da Aarhus University (Dinamarca), que abordou avanços no uso da ressonância magnética aplicada à odontologia e suas contribuições para o diagnóstico clínico. A atividade reuniu estudantes de pós-graduação, além de docentes e participantes externos interessados nas novas tecnologias de imagem na área.

Durante a apresentação, o docente discutiu inicialmente as limitações dos exames radiográficos tradicionais e da tomografia computadorizada no diagnóstico de lesões periapicais. Por meio de exemplos clínicos e estudos de acompanhamento de longo prazo, ele explicou que imagens radiolúcidas nem sempre indicam a presença de doença ativa. Em alguns casos, essas alterações podem corresponder apenas a tecidos cicatriciais ou processos de reparo ósseo. Essa incerteza diagnóstica pode levar tanto ao sobretratamento quanto ao subtratamento de pacientes, evidenciando a necessidade de métodos complementares de avaliação.

Nesse contexto, o professor apresentou pesquisas que investigam a aplicação da ressonância magnética na odontologia. Diferentemente dos exames baseados em radiação, a técnica permite visualizar tecidos moles e identificar características biológicas das lesões, como presença de inflamação, conteúdo de água, gordura ou sangue. Essas informações ampliam o chamado “intervalo de observação” do profissional, permitindo compreender melhor o que ocorre dentro das regiões analisadas.

Outro ponto abordado foi o desenvolvimento de equipamentos de ressonância magnética dedicados à área odontológica, com campo magnético mais baixo e protocolos específicos para exames da região bucomaxilofacial. Segundo o pesquisador, a proposta é tornar a tecnologia mais simples, rápida e acessível, permitindo exames focados em áreas específicas da cavidade oral e reduzindo o tempo de aquisição das imagens.

Ao longo da palestra, também foram apresentados exemplos de aplicações clínicas, como a identificação de fraturas radiculares, acompanhamento de traumas dentários, análise de doenças periodontais e estudo da articulação temporomandibular. Em alguns casos, a ressonância magnética permitiu diferenciar processos inflamatórios ativos de tecidos cicatriciais, auxiliando na tomada de decisão clínica.

Por fim, foi destacado que o uso da ressonância magnética não substitui os métodos tradicionais de imagem, mas pode atuar como ferramenta complementar no diagnóstico. Ele ressaltou ainda que o avanço dessas tecnologias depende da integração entre diferentes áreas do conhecimento, como radiologia, patologia e diagnóstico clínico, reforçando a importância da pesquisa interdisciplinar para aprimorar o cuidado com os pacientes.

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Texto e fotos: Maria Eduarda Kise