O Ministério da Saúde divulgou, nesta segunda-feira (4), um levantamento inédito sobre o perfil dos profissionais de odontologia no Brasil, com o objetivo de fortalecer o debate sobre os desafios da saúde bucal e subsidiar a formulação de políticas públicas. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo revela um cenário de expansão acelerada da área, acompanhado por desigualdades regionais e entraves estruturais no mercado de trabalho.
Atualmente, o país soma mais de 665 mil profissionais de saúde bucal, dos quais cerca de 416 mil são cirurgiões-dentistas. Apesar da alta densidade nacional, a distribuição é desigual, com maior concentração no Sudeste e menor presença no Norte. Um dos pontos de atenção destacados é a chamada “pirâmide invertida”, marcada pelo predomínio de profissionais com formação superior em contraste com a escassez de técnicos e auxiliares, o que pode impactar a eficiência dos serviços.
O levantamento também aponta que a odontologia é majoritariamente feminina nas atividades clínicas e evidencia diferenças etárias entre as categorias, além de um envelhecimento mais acentuado entre profissionais da área de prótese. Outro destaque é o crescimento expressivo dos cursos de graduação nas últimas décadas, sobretudo no setor privado, contrastando com um mercado de trabalho que ainda apresenta limitações, como a baixa oferta de vínculos formais e sinais de precarização.
Embora tenha havido retomada recente na geração de empregos, o estudo indica um descompasso entre o número de profissionais e as oportunidades disponíveis, além de um mercado mais fechado para novos ingressantes. Também chama atenção o desequilíbrio na composição das equipes, com número reduzido de técnicos e auxiliares em relação aos dentistas.
A especialização na área tem avançado, especialmente em campos como Ortodontia, Implantodontia e Endodontia, mas ainda há carência de profissionais em áreas estratégicas para a saúde pública. Diante desse cenário, o Ministério da Saúde reforça a importância de iniciativas como a Política Nacional de Saúde Bucal, o Brasil Sorridente, que organiza a oferta de atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e busca ampliar o acesso, qualificar os serviços e reduzir desigualdades regionais.

