Em 2026, a Odontologia do Esporte da FOUSP completa 20 anos. Ao longo desse período, a área passou a integrar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da faculdade, com disciplina na graduação, linha de pesquisa na pós-graduação, liga estudantil e curso de especialização. A trajetória também acompanhou o crescimento da especialidade no Brasil e a ampliação da atuação do cirurgião-dentista junto a atletas e praticantes de atividade física.

Para falar sobre essa história, conversamos com a Profa. Dra. Neide Pena Coto, docente do Departamento de Cirurgia, Prótese e Traumatologia Maxilofaciais, que acompanha a área desde sua criação, e com Lucas Thomazotti Berard, doutorando da FOUSP e Oficial de Controle de Dopagem – Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

Segundo a professora, um dos marcos iniciais foi o desenvolvimento de um protetor facial para o então zagueiro do São Paulo Futebol Clube, Diego Lugano, após uma fratura nasal. A experiência motivou novas pesquisas sobre materiais utilizados na proteção de atletas e abriu caminho para estudos que seguem até hoje.

“Nós percebemos que precisávamos entender como aquele protetor funcionava. Foi aí que começaram as pesquisas”.

Profa. Dra. Neide Pena Coto.

Ensino, pesquisa e formação

A disciplina de Odontologia do Esporte foi criada em 2006 e ajudou a introduzir o tema na graduação. Com o passar dos anos, a área cresceu dentro da FOUSP e passou a contar com uma linha de pesquisa voltada à prevenção de traumas e à saúde bucal de atletas.

Além da graduação e da pós-graduação, a faculdade também criou a Liga Estudantil Interdisciplinar de Odontologia do Esporte (LIOE) e um curso de especialização, contribuindo para a formação de profissionais que hoje atuam em clubes, federações e outras instituições esportivas.

“A gente vê ex-alunos espalhados pelo Brasil inteiro. Muitos deles continuam trabalhando na área e ajudando a fortalecer a especialidade”.

Profa. Dra. Neide Pena Coto.

Novas áreas de atuação

Ao longo dos anos, a Odontologia do Esporte ampliou seu campo de atuação e passou a dialogar com diferentes áreas da saúde. Entre elas está a antidopagem, tema que tem ganhado destaque na formação e na atuação de profissionais ligados ao esporte.

De acordo com Lucas, medicamentos prescritos rotineiramente na prática clínica da odontologia tem substâncias proibidas por doping, tornando essencial a orientação adequada aos pacientes atletas.

“A atuação multiprofissional é cada vez mais necessária. O trabalho conjunto entre dentistas, médicos, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas permite oferecer melhores condições de saúde aos atletas.”
Lucas Thomazotti Berard.

As pesquisas desenvolvidas pela instituição também acompanham os avanços tecnológicos da área. Estudos recentes avaliam a utilização de escaneamento facial, modelagem digital e impressão 3D para a confecção de protetores faciais personalizados, buscando tornar o processo mais preciso e eficiente. Dessa forma, o crescimento da prática esportiva e o reconhecimento da Odontologia do Esporte como especialidade mostram que ainda há espaço para novas pesquisas e formas de atuação profissional.

“Hoje as instituições esportivas entendem a importância do cirurgião-dentista dentro das equipes de saúde. É uma área que continua crescendo”.

Profa. Dra. Neide Pena Coto.


Texto: Maria Eduarda Kise