A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) revolucionou o combate ao HIV/AIDS, oferecendo uma estratégia eficaz de proteção para populações vulneráveis. No entanto, o cenário traz novos desafios: como lidar com outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)? Para enfrentar esse problema, o projeto de pesquisa coordenado pelo Prof. Dr. Paulo Henrique Braz da Silva, recentemente aprovado pela FAPESP, propõe uma solução que pode estar literalmente na boca dos pacientes: a saliva.

O Prof. Dr. Paulo Henrique Braz da Silva possui graduação, mestrado e doutorado pela FOUSP e pós-doutorado no Laboratório de Virologia do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMTSP) da USP. Atualmente é Diretor da Agência USP de Cooperação Acadêmica Nacional e Internacional – AUCANI. Tem experiência na área de Morfologia, com ênfase em Patologia e Histologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Anatomia Patológica, Patologia Molecular, Imuno-histoquímica, Virologia (Herpesvirus humanos, HPV e Poliomavirus) e Biomarcadores diagnósticos salivares.
Sobre o projeto
Diferente das coletas de sangue tradicionais, a saliva é um fluido biológico de fácil obtenção, rápido e indolor. O estudo busca validar se amostras salivares podem substituir ou complementar o plasma no diagnóstico molecular e acompanhamento de uma série de infecções:
Virais: HPV, Mpox e herpes vírus.
Bacterianas: Clamídia, gonorreia e sífilis.
“A saliva emerge como uma alternativa promissora. Queremos entender a dinâmica de excreção desses vírus e bactérias e como eles impactam o ambiente oral”
Prof. Dr. Paulo Henrique Braz da Silva
Para decifrar o que acontece no organismo dos pacientes, a equipe utiliza métodos de alta precisão. A análise bioquímica será feita por espectroscopia de infravermelho (FTIR), enquanto a detecção de DNA de patógenos será realizada via PCR em tempo real. Além disso, o estudo mapeará o microbioma e o viroma oral (o conjunto de bactérias e vírus presentes na boca) para entender as alterações causadas pelas infecções.

Impacto na Saúde Pública
Ao identificar citocinas inflamatórias e outros marcadores específicos, o estudo não apenas foca no diagnóstico precoce das ISTs, mas também na compreensão da resposta imunológica do corpo.
O objetivo final é criar estratégias de controle mais eficazes das ISTs nos indivíduos que utilizam PrEP, garantindo que a proteção contra o HIV não mascare a necessidade de cuidado com outras infecções. Se bem-sucedida, a pesquisa poderá transformar a saliva em uma ferramenta adicional para o controle epidemiológico de ISTs em grandes centros urbanos como São Paulo.
Equipe de pesquisadores e instituições
O projeto também conta com a Profa. Dra. Marília Trierveiler Martins e Profa. Dra. Camila de Barros Gallo, docentes do Departamento de Estomatologia, que serão responsáveis pelo acompanhamento das possíveis lesões orais dos participantes. A equipe inclui alunos de doutorado, como o Sr. Nilson Ferreira de Oliveira Neto, que está atualmente na Universidade de Oslo (Noruega), e o Sr. Rafael Veloso Caixeta, atualmente na Universidade de Florença (Itália), ambos bolsistas FAPESP, além de estudantes de mestrado e de iniciação científica.
O trabalho é realizado em conjunto com o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, o Centro de Referência e Treinamento DST/AIDS-SP da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o Laboratório de Virologia do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP.
Texto: Théo Gouvêa Filizzola

