
Neste Dia das Mães, a história de Carla Regina do Carmo Della Libera ajuda a dar visibilidade às mulheres que vivem o desafio de conciliar a maternidade com a vida acadêmica. Entre pesquisas, aulas, trabalho e a rotina familiar, muitas mães seguem construindo suas trajetórias dentro das universidades, equilibrando diferentes responsabilidades ao mesmo tempo.
A experiência de Carla representa a realidade de tantas mulheres que, mesmo diante das dificuldades, continuam encontrando espaço para estudar, ensinar e cuidar.
Formada em 2005, Carla conta que decidiu priorizar a vida pessoal logo após a graduação. Enquanto trabalhava em consultório, construiu sua família e se tornou mãe pela primeira vez em 2011. Anos depois, em 2017, nasceu seu segundo filho. Mesmo afastada da universidade naquele período, o desejo de retornar à vida acadêmica permaneceu presente.
Foi em 2019 que iniciou a especialização em Endodontia, buscando uma rotina mais flexível. Pouco depois, a pandemia interrompeu os planos e trouxe novamente a necessidade de focar na família. O retorno definitivo à academia aconteceu em 2022, quando foi convidada para integrar o corpo docente da equipe em que havia realizado sua especialização.
“Ali não tive dúvidas de que a academia era o meu lugar”.
Atualmente no mestrado, Carla afirma que um dos maiores desafios é a intensa rotina da pós-graduação. Em muitos dias, saía de casa antes dos filhos acordarem e retornava apenas quando eles já estavam dormindo.
Apesar disso, ela acredita que a maternidade mudou sua forma de enxergar o tempo e os estudos. Segundo Carla, ser mãe trouxe mais senso de propósito e determinação.
Entre os momentos mais marcantes dessa trajetória, ela relembra o período em que precisou finalizar a dissertação de mestrado ao mesmo tempo em que organizava a festa de 15 anos da filha. Dividida entre prazos acadêmicos e os preparativos da comemoração, viveu uma das fases mais intensas da pós-graduação.

Ao longo do caminho, Carla destaca também a importância da rede de apoio formada por colegas, familiares e funcionários da universidade. Para ela, aprender a pedir ajuda foi um dos maiores aprendizados dessa experiência.
A trajetória de Carla evidencia uma realidade compartilhada por muitas mulheres que tentam equilibrar os estudos, a carreira e a maternidade ao mesmo tempo. Entre prazos, responsabilidades e a rotina intensa da vida acadêmica, seguir esse caminho exige dedicação, mas também apoio e acolhimento.
Ao refletir sobre sua própria experiência, Carla afirma que a realização pessoal acontece quando se vive plenamente aquilo que faz sentido para si. Para ela, a maternidade e a docência se conectam justamente pelo cuidado, pela formação e pela presença na vida de outras pessoas.

Pensando em mulheres que desejam seguir na vida acadêmica sem abrir mão do sonho de serem mães, ela deixa uma mensagem sincera:
Haverá dificuldades, inseguranças e momentos de exaustão, mas nenhuma mulher precisa enfrentar tudo sozinha. No fim, é também na troca, no apoio e na força coletiva que muitas conseguem continuar. Juntas somos mais fortes.
Texto: Maria Eduarda Kise

