Na Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, a Profa. Dra. Camila de Barros Gallo, do Departamento de Estomatologia, falou um pouco sobre essa doença e o suporte que a FOUSP oferece, desde o diagnóstico, até a reabilitação total do paciente.

A docente é graduada em Odontologia, Mestre e Doutora em Diagnóstico Bucal pela FOUSP. Também é membro do Centro de Diagnóstico Oral da Disciplina de Estomatologia Clínica (CDO) e coordenadora da Liga Interdisciplinar das Neoplasias Bucais do Centro Acadêmico XXV de Janeiro (LINB), tendo, inclusive, linha de pesquisa em doenças neoplásicas.

“O câncer de boca é uma neoplasia maligna. Isso significa que, as células que compõem aquela região da boca, entraram em um processo de proliferação descontrolada e desorganizada, causando uma perturbação na área afetada e a perda da função original. Por exemplo, quando o câncer afeta a língua, pode ocorrer a perda de sua movimentação e gustação.
O tumor maligno afeta lábios, língua (principalmente as bordas), gengivas, bochechas, assoalho da boca (região abaixo da língua) e palato (“céu da boca”). Entre os fatores de risco estão: tabagismo, consumo de álcool, exposição prolongada ao sol sem protetor labial (câncer de lábio) e infecção por HPV (câncer de orofaringe)
O Cirurgião-Dentista é o profissional mais adequado para o diagnóstico. Por possuir amplo entendimento sobre a cavidade oral, ele está apto a identificar e biopsiar, se for o caso, a lesão (retirar um pedacinho do tecido afetado, geralmente com o paciente na própria cadeira odontológica sob anestesia local). Caso seja maligna, é feito o encaminhamento do paciente para o tratamento especializado — equipe multiprofissional incluindo médicos, cirurgiões-dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas.
O tratamento pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a depender do estágio em que o câncer se encontra.”

A docente ainda detalha o serviço oferecido pela FOUSP para esses casos:

“O paciente chega para nós no Centro de Diagnóstico Oral em Estomatologia, onde é feita a identificação e a biópsia da lesão suspeita. Ela é, então, encaminhada para o Serviço de Patologia Cirúrgica, também na própria FOUSP, para análise histopatológica do tecido. Caso a amostra seja maligna, o paciente é orientado a procurar o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, onde receberá um suporte multidisciplinar. Caso queira, o paciente poderá ser acompanhado pela LINB, recebendo, principalmente, um tratamento prévio à quimioterapia ou radioterapia, que chamamos de “preparo de boca”. O LELO também tem um papel importante no manejo de condições decorrentes do tratamento contra o câncer, como a mucosite, com a aplicação de laser de baixa potência nessas lesões. Quando o paciente recebe alta do hospital, começa a fase reabilitadora: em casos de remoção cirúrgica do tumor, a FOUSP faz a reabilitação do paciente por meio de próteses bucomaxilofaciais, que podem ser intra ou extra orais.”

A Profa. Dra. Camila Gallo finalizou falando sobre o Projeto de Extensão “Mostre a Língua”, onde realiza ações de conscientização e exame bucal para a população em locais públicos, como o metrô.

Caso tenha uma lesão na boca que não cicatriza há mais de 15 dias, manchas/placas esbranquiçadas ou avermelhadas, nódulos intra orais ou no pescoço, sangramento espontâneo ou rouquidão persistente, procure um cirurgião-dentista.

Texto: Théo Gouvêa Filizzola