No Anfiteatro Myaki Issáo, às 9h do dia 17 de dezembro de 2025, ocorreu a Reunião do CpodV (cê
pode vê), que nasceu de uma ampla rede de colaboração. Essa se estruturou e teve sua proposta de
CCD (Centros de Ciência para o Desenvolvimento) aprovada pela FAPESP, tendo a Secretaria de
Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência como principal parceira. A Diretora do CCD é a
Profa. Dra. Maria Célia de Lima Hernandes (FFLCH-USP), tendo como vice-diretor o professor o Prof. Dr. Cleyton
Fernandes Ferrarini (UFSCar-NTA).
A aprovação da proposta foi fortalecida pela inclusão de mais de 30 pesquisadores, instituições
renomadas com experiência em assistência e educação, e a presença essencial das próprias pessoas
com deficiência. Participam como pesquisadores docentes e funcionários da UNIFESP, UFSCar,
UNICAMP, do CTI e de diversas Faculdades da USP (FAU, FE, FFLCH, FO, ICB, IO e POLI).
A missão central do CpodV é articular pesquisadores, contando sobretudo com aqueles com
deficiência visual, partindo do princípio de que a tecnologia assistiva não deve ser desenvolvida sem a
participação ativa dos usuários.
O objetivo é influenciar a qualidade de vida e buscar a inclusão social, educacional e cultural para
pessoas com deficiência visual. O trabalho é organizado em quatro eixos temáticos, são eles:


Abordagens Didático-Pedagógicas e Desenvolvimento de Soluções Estratégicas, coordenado
pelo Prof. Dr. Paulo Eduardo Capel Cardoso, docente da Faculdade de Odontologia da
Universidade de São Paulo (FO-USP);


Acessibilidade Cultural, coordenado pela Profa. Dra. Ana Paula Torres Megiani (FFLCH-USP);


Recursos para Atividades de Vida Autônoma, coordenado pela Profa. Dra. Patrícia Saltorato
(UFSCar);


Mapeamento e Observatório da Deficiência Visual, coordenado pelo Prof. Dr. Rafael Yague
Ballester, docente da FO-USP;


No Eixo de Educação, por sua vez, está em prototipagem um leitor de livros de baixo custo que utiliza
um celular acoplado a um suporte para ler qualquer material impresso.
Este dispositivo é uma alternativa muito mais acessível economicamente que outros e equipamentos
com a mesma finalidade que custam caro (cerca de R$ 18.000 ou $8.000). O centro também planeja
oferecer cursos abertos on-line para capacitar educadores, pois 90% dos professores do ensino médio
e fundamental não possuem formação em tecnologia e acessibilidade.
Para a autonomia diária, o Eixo de Atividade e Vida Autônoma trabalha no Assistente de Navegação
Ativo (ANA), um totem de navegação que utiliza micro-pistões em um painel tátil para criar Braille e
croquis do ambiente, auxiliando no deslocamento independente em edifícios.
Por outro lado, o Eixo de Acessibilidade Cultural busca eliminar barreiras na vivência cultural, focando
em tornar acessíveis legendas em exposições e desenvolver legendas audíveis para filmes
estrangeiros. O centro buscará parcerias com instituições como o Museu Paulista e o Museu de Arte
Sacra para implementar suas estratégias de acessibilidade.
A expectativa é que este projeto melhore significativamente a autonomia e a qualidade de vida das
pessoas com deficiência visual.

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