O Brasil passou de 201 cursos de odontologia, em 2010, para 650, em 2024, um crescimento de 223% em 14 anos. Os dados são da Demografia da Odontologia no Brasil 2026 – Volume 2, do Ministério da Saúde, que reúne informações sobre a formação de cirurgiões-dentistas no país.

A expansão ocorreu principalmente na rede privada, que concentra cerca de 90% das graduações. Nordeste e Centro-Oeste registraram os maiores aumentos no período, de 420% e 414%, respectivamente. O Sudeste permanece com o maior número absoluto, somando 240 cursos. Entre 2010 e 2024, foram abertos, em média, 32 novos cursos por ano.

O levantamento também aponta diferenças na estrutura das graduações. Cerca de 40% dos cursos oferecem vagas no período noturno e 84% têm duração de cinco anos. Entre as instituições privadas, 289 funcionam com apenas a carga horária mínima prevista pelas diretrizes curriculares. Na rede pública, são dois dos 69 cursos.

Diante desse cenário, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) encaminhou ao Ministério da Educação (MEC) um ofício solicitando a suspensão, em âmbito nacional, da autorização de novos cursos e da ampliação de vagas nas graduações já existentes. O Conselho defende a adoção de critérios técnicos que considerem a necessidade de profissionais e a capacidade de absorção do mercado e dos serviços de saúde.

Segundo o CFO, a preocupação com a expansão não é recente, afirmando que alerta o MEC sobre o tema desde 2017 e ajuizou uma Ação Civil Pública em 2022. Também participou da articulação que contribuiu para a suspensão da autorização de novos cursos de odontologia na modalidade de ensino a distância. O ofício aponta ainda que o Brasil possui cerca de 469 mil cirurgiões-dentistas, aproximadamente 20% dos profissionais da área no mundo, com distribuição desigual entre as regiões.

Além da graduação, o país soma 3.032 cursos de pós-graduação lato sensu em odontologia, segundo o levantamento do Ministério da Saúde. Ortodontia (462) e implantodontia (443) estão entre as especialidades com maior oferta. Os dados sobre a formação e o número de profissionais colocam em discussão não apenas o crescimento das vagas, mas também a qualidade do ensino e a distribuição dos cirurgiões-dentistas de acordo com as necessidades da população.


Saiba mais: Oral Science e Conselho Federal de Odontologia