Publicado em Jornal da USP

Especialista da USP alerta que diagnóstico precoce eleva as chances de cura e recomenda atenção a lesões persistentes, especialmente em pessoas com longa exposição ao sol

A principal causa do câncer de lábio é a exposição acumulada à radiação ultravioleta ao longo da vida – Foto: master1305 on Freepik

Uma ferida no lábio que demora mais de 15 dias para cicatrizar pode ser um sinal de câncer e deve ser avaliada por um profissional de saúde. O câncer de lábio integra o grupo dos cânceres da boca e acomete, principalmente, a região vermelha do lábio inferior. Segundo o cirurgião-dentista Celso Augusto Lemos Júnior, professor do Departamento de Estomatologia da Faculdade de Odontologia (FO) da USP, a principal causa da doença é a exposição acumulada à radiação ultravioleta ao longo da vida, tornando o tumor mais frequente entre trabalhadores que permanecem longos períodos ao ar livre, como agricultores, pescadores, operários da construção civil, motoristas e vendedores.


“A principal causa associada a esse tipo de câncer é a radiação ultravioleta acumulada ao longo de toda uma vida”, afirma o especialista. Para reduzir o risco da doença, ele recomenda o uso diário de protetor solar labial com fator de proteção solar (FPS) 15 ou superior, chapéus de abas largas e a redução da exposição direta ao sol entre 10h e 16h.

Sinais de alerta e diagnóstico

Embora, em muitos casos, o câncer de lábio não provoque dor nas fases iniciais, algumas alterações são facilmente perceptíveis. Fissuras, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, áreas endurecidas ou ásperas e, principalmente, feridas que não cicatrizam em até duas semanas merecem atenção. “Todo paciente deve ficar atento a qualquer ferida que apareça nos lábios e demore mais de 15 dias para cicatrizar”, orienta Celso Augusto.

Celso Augusto Lemos Júnior – Faculdade de Odontologia da USP

O diagnóstico é realizado por meio de biópsia, procedimento que remove um pequeno fragmento da lesão sob anestesia local para análise laboratorial. O exame pode ser solicitado por médicos ou cirurgiões-dentistas. Em São Paulo, a orientação é procurar inicialmente uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente será avaliado e, se necessário, encaminhado para a realização da biópsia.

A Faculdade de Odontologia da USP oferece atendimento gratuito para diagnóstico de lesões bucais no Centro de Diagnóstico Oral em Estomatologia, localizado na Cidade Universitária. A clínica funciona às segundas e quartas-feiras, às 8 horas, durante praticamente todo o ano.

Tratamento precoce aumenta as chances de cura

Quando identificado precocemente, o câncer de lábio apresenta elevadas taxas de cura. Dados do National Cancer Institute dos Estados Unidos indicam que entre 90% e 100% dos casos podem ser curados quando o tumor permanece localizado e o tratamento é iniciado nas fases iniciais da doença.

O tratamento é, principalmente, cirúrgico. “Em lesões pequenas, o tratamento alcança praticamente 100% de sucesso e com mínimo de cicatriz”, destaca Celso Augusto. Nos casos mais avançados, pode ser necessária a associação com radioterapia e quimioterapia, além de haver maior risco de sequelas funcionais e estéticas, comprometendo a fala, a alimentação e a aparência facial.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), cerca de 2,8 mil novos casos de câncer de lábio devem ser registrados no Brasil em 2026, enquanto o total de cânceres da cavidade oral poderá chegar a aproximadamente 11 mil casos no país.