Publicado em Jornal da USP

O “Fórum Permanente de Professoras Titulares e Lideranças Femininas” e o “FOUSP por elas” visam estabelecer espaços para as mulheres em cargos de liderança, além de inaugurar iniciativas de acolhimento e valorização de trajetórias femininas na Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP)

Encontro inaugural reuniu professoras titulares, presidentes e vice-presidentes de comissões estatutárias, chefes e vice-chefes de departamento e duas servidoras técnico-administrativas que exercem funções de chefia na unidade. – Foto: Arquivo pessoal/Maria Cristina Zindel Deboni

A Faculdade de Odontologia da USP (FOUSP) inaugura espaços institucionais de diálogos e articulação dedicados ao fortalecimento da presença da mulher. O Fórum Permanente de Professoras Titulares e Lideranças Femininas foi criado recentemente e visa o fortalecimento da presença feminina, principalmente em espaços de liderança. Já o “FOUSP por elas, é uma iniciativa para abertura de espaços de letramento sobre questões de gênero que permeiam o dia a dia na faculdade.

O pontapé inicial para a criação do Fórum Permanente de Professoras Titulares e Lideranças Femininas foi dado no dia 9 de março, durante um almoço simbólico em um restaurante na universidade. Neste encontro inaugural reuniram-se 16 mulheres: professoras titulares, presidentes e vice-presidentes de comissões estatutárias, chefes e vice-chefes de departamento e duas servidoras técnico-administrativas que exercem funções de chefia na unidade. Durante o almoço, as participantes trocaram experiências sobre desafios e oportunidades relacionados à presença da mulher no ambiente acadêmico e manifestaram interesse em construir, de forma coletiva, uma agenda de temas e ações a serem desenvolvidas pelo grupo.

Mulheres em maioria

A ideia da criação do Fórum surgiu quando as professoras da FOUSP Maria Cristina Zindel Deboni, vice-diretora, e Marília Trierveiler Martins, vice-presidente da Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP) da FOUSP, se tornaram professoras titulares. Com isso, quando tomaram posse do cargo, observaram que a maioria dos professores que estavam assumindo a titularidade eram mulheres.

Maria Cristina Zindel Deboni – Foto: FO-USP

“Foi um momento histórico, porque nós éramos a maioria. […] Na verdade, só tinha um homem […]. Eram cinco titulares, dos cinco, quatro eram mulheres”, afirma a professora Maria Cristina.

Isso se reflete também no quadro de professoras da faculdade. De acordo com a professora Marília, como consta no Anuário Estatístico da USP 2025, a proporção de mulheres docentes da universidade era de 38% e as titulares 29,92%. Na FOUSP , no entanto, as mulheres representam cerca de 35% dos titulares, e a distribuição de docentes nos últimos quatro anos é de aproximadamente 44,44% de docentes mulheres.

Por isso, a professora Marília destaca a necessidade que as professoras titulares na FOUSP sentem em ter mais espaço para conversar sobre essas posições de liderança que estão conquistando, e também a necessidade de se unirem.

Marília Trierveiler Martins – Foto: Arquivo pessoal

“Acho que a nossa sensação é que as mulheres, chegavam nas posições de liderança sempre de uma forma muito isolada. […] E aí a gente tem essa percepção de que precisamos fortalecer a presença feminina na liderança, na gestão, nos espaços de poder! Porque a gente tem um pouco de medo sempre de usar essa palavra. Mas por que não?”, questiona a professora Marília.

Na ocasião, todas as participantes assinaram um documento que formaliza a criação do Fórum e registra o compromisso coletivo com a continuidade do projeto. Como próximos passos, está prevista a realização de reuniões periódicas do grupo , nas quais serão discutidas prioridades e possíveis iniciativas voltadas ao fortalecimento da participação e da visibilidade das mulheres em diferentes espaços institucionais da FOUSP.

“Fousp por elas”

Com o objetivo de abrir espaços de letramento sobre questões de gênero que permeiam o dia a dia na faculdade, a Faculdade promove neste 18 de março, às 17 horas, no  Auditório István Jancsó, na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (Rua da Biblioteca, 21, na Cidade Universitária), o lançamento do “FOUSP por elas”. Como destaca a professora Maria Cristina, “eu  quero estar ali permanentemente lembrando da pauta das mulheres.” O objetivo é fazer uma programação que não fique apenas no mês de março, mas que se perpetue durante os anos. Não há necessidade de inscrição prévia e haverá emissão de certificado aos participantes. O “FOUSP por elas”, organizado por Maria Cristina, surgiu justamente pela ocupação de cargo de liderança que a professora desempenha.

Maria Cristina, junto com a Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP) da FOUSP irão produzir um manual de boas práticas de comportamento. Direcionado a homens e mulheres, o manual será uma das formas de letramento e perpetuação da ação ao longo dos anos e dos diferentes mandatos que podem ser executados por outras professoras da faculdade.

A proposta abre ainda um espaço para as alunas, trabalhadoras, servidoras, terceirizadas dentro da universidade, poderem reconhecer “as coisas que elas podem fazer, que elas têm competência.” Para atingir esse público, a professora Maria Cristina planeja sessões de cinema para instigar reflexões sobre questões de gênero. “A gente tem tantos filmes bons que falam de mulheres, de empoderamento, de como se chega na liderança, como se firmar nesse espaço.”
Além disso, outra proposta que a professora pretende realizar por meio do “FOUSP por elas” é criar um espaço adequado para abordar questões de parentalidade.

“Eu vejo às vezes nas férias algumas mães de todas as categorias, tanto das professoras, quanto de alunas, quanto servidoras, quanto terceirizadas, às vezes tá com filho com um probleminha de saúde, não pode levar pra escola. Onde você deixa crianças? E o espaço de amamentação? […] Esse é um aspecto importante: a maternidade precisa ser desmistificada no ambiente de trabalho.”

Em relação a isso, a professora Marília Trierveiler Martins, que atua como vice-presidente da Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP) da FOUSP, afirma que esse espaço serve como uma forma de inclusão em um nível institucional para essas mães e pais.

O “FOUSP por elas” contará com a participação da professora do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), Adriana Alves, que coordenou o escritório USP Mulheres nos anos de 2021 e 2023.

“Eu acho que ela, como uma figura da Geociências, mulher, preta, com a sua representação importante, que ela tem, […] a fala dela é primordial para isso, e para que a gente reconheça quais foram os problemas que ela enfrentou para que a gente não desista. É mais um estímulo para a gente.”

Outra convidada é a diretora da faculdade de medicina da USP (FMUSP) Eloisa Silva Dutra de Oliveira Bonfá, que ao assumir o cargo em 2022 se tornou a primeira mulher a assumir a posição em 110 anos de história da instituição.
Além dela, o evento contará com a presença da professora Liedi Legi Bariani Bernucci, da escola politécnica (POLI), que foi a primeira mulher a assumir a Chefia do Departamento de Engenharia de Transportes, a Vice-Diretoria (2014-2018) e a Diretoria da Escola Politécnica (2018-2021), em mais de 120 anos de história da instituição. Atualmente a professora Liedi atua como vice-reitora da USP.

Ainda, a iniciativa planeja promover alianças masculinas ativas para o apoio destas iniciativas na desconstrução de comportamentos misóginos e de respeito à autonomia feminina em qualquer de seus cenários profissionais e de vida.

Serviço:

“FOUSP por elas”

17 horas – Abertura do evento com a Profa. Dra. Maria Cristina Zindel Deboni, Vice-diretora da FOUSP e do Prof. Dr. Giuseppe Alexandre Romito, Diretor da FOUSP
17h30 – “Conquistas e desafios do Escritório USP Mulheres”, com a Profa. Dra. Adriana Alves, docente do Instituto de Geociências e coordenadora do Escritório USP Mulheres entre 2021 e 2023
18 horas – Depoimentos sobre trajetórias na liderança feminina na USP com a Profa. Dra. Eloisa Bonfá. Diretora da Faculdade de Medicina e com a Profa. Dra. Liedi Légi Bariani Bernucci, Vice-reitora da USP
18h45 – Reflexões da audiência
19 horas – Encerramento

*Estagiária sob a supervisão de Antonio Carlos Quinto

Imagem: Divulgação