Ocorreu, nos dias 13 e 14 de novembro, no Anfiteatro Myaki Issáo, a 2ª Edição do evento Grandes Desafios e Conquistas da Participação Social em Pesquisa Clínica. Promovida e coordenada pela Profa. Dra. Mariana Minatel Braga, docente do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da FOUSP, a programação foi aberta à comunidade em geral e contou com palestras em português e inglês — com tradução simultânea, para quem precisasse — acerca do tema “Ciência Cidadã”.
A abertura do primeiro dia foi realizada pela Profa. Dra. Maria Cristina Zindel Deboni, Vice-Diretora da FOUSP; Profa. Dra. Mariana Minatel Braga, Docente do Departamento de Ortodontia e Odontopediatria da FOUSP; e Fernando Nunes Moreira, Chefe Administrativo do Serviço de Pós-Graduação da FOUSP.
A primeira palestra foi ministrada pelo Prof. Dr. Mario Brondani, docente da University of British Columbia. Sua aula abordou a Ciência Cidadã focada no protagonismo da comunidade frente à pesquisa, mostrando a importância de dar voz às pessoas sob o lema “Nada sobre nós, sem nós!”. A segunda palestra, ministrada pela Profa. Dra. Kirsten Bevelander, docente e pesquisadora da Radboud University – Medical Center, também focou no protagonismo da comunidade frente à pesquisa, mas com ênfase em pessoas com deficiência — sendo ela visível ou não — tornando a saúde mais inclusiva e acolhedora.
Após, o Prof. Dr. Bruno Albertini, docente da Escola Politécnica da USP, prosseguiu com a sua palestra destacando a importância da captação e armazenamento de dados das ações da ciência cidadã no Brasil, uma das iniciativas da Rede Brasileira de Ciência Cidadã, organização em que é gestor. A última palestra da parte da manhã foi ministrada pela Profa. Dra. Sheina Kofler, docente da UFABC. Sob o tema “Análise de stakeholders para a construção de projetos de ciência cidadã”, a palestrante realçou em sua fala a relevância da determinação dos interesses dos indivíduos, grupos ou organizações no estabelecimento de projetos em Ciência Cidadã.
Para finalizar a parte da manhã, foi realizado um diálogo aberto onde os participantes puderam sanar suas dúvidas.
As palestras da tarde, ministradas pela Profa. Dra. Renata Eloah Ferreti Rebustini, docente da Escola de Enfermagem da USP; Profa. Dra. Mariana M. Braga, docente da FOUSP; e Prof. Danilo Castro, coordenador de Comunicação do Instituto Veredas, giraram em torno do tema “Aprendizados e Barreiras na Participação Social em Pesquisas Relacionadas à Saúde no Brasil e no Mundo”.
A palestra da Profa. Dra. Renata E. F. Rebustini teve enfoque em “Saúde Planetária”, campo interdisciplinar que relaciona a saúde da Terra com a saúde individual e da sociedade. Por sua vez, a Profa. Dra. Mariana M. Braga, apresentou o Escute!, centro de participação social em pesquisa clínica alinhado à ciência cidadã baseado na escuta ativa da população. O Prof. Danilo Castro, por fim, apresentou estratégias para comunicar evidências científicas com acessibilidade para governos e sociedade.
Ainda houveram duas mesas redondas sob os temas: “Barreiras ao implementar a participação social” e “Como a ciência aberta converge na participação social?”.
O primeiro dia foi finalizado com duas oficinas simultâneas, sendo elas:
Oficina I: Novas diretrizes para reporte de pesquisa clínica
incluindo a participação social.
Oficina II: Como engajar a sociedade a fazer ciência na área da saúde?
Parte I – Escuta – Cientistas Cidadãos convidados
vinculados ao Centro Escute!
Parte II – Produção de Material/Diretrizes para promover a participação
social em saúde
Segundo Dia
O segundo dia teve início com a Capacitação Avançada: um primeiro momento com a palestra da Profa. Dra. Ana Paula Magalhães, docente da FFLCH e Assessora da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP, abordando aspectos das boas práticas em pesquisa, que reforçou características como acesso, sociedade e conhecimento, e um segundo momento, com o Prof. Dr. Mario Brondani e Prof. Danilo Castro dialogando sobre inclusão.
Em seguida, a Profa. Dra. Mariana M. Braga destacou, em sua palestra, a necessidade do empoderamento dos participantes através da educação científica, em que o envolvimento social deve ocorrer em todas as fases da pesquisa clínica.
Ao final da manhã, houve o “Workshop: Metodologias participativas aplicadas a diferentes estratégias de pesquisa”, que consistiu na formação de grupos para uma atividade prática: aplicar o ciclo “PSDA” (Plan, Do, Study, Act) sobre o tema proposto, que foi “Mapa de Acessibilidade”.
A abertura do Simpósio Ciência e Cidadania foi realizada pela Profa. Dra. Taís Scaramucci, docente do Departamento de Dentística da FOUSP, no início da tarde.
Após o Simpósio, houve a palestra da Profa. Renata Whitton, docente do Instituto de Biociências da USP e Assessora da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação/USP, que abordou o tema “Ciência Aberta”, focando nas palavras-chave “disponibilidade, acessibilidade e transversalidade”.
A palestra seguinte, ministrada pela Profa. Dra. Mirian Mielani, docente da Escola de Comunicação e Artes da USP, focou bastante na “in”segurança da informação, principalmente em comunidades periféricas, onde a sua pesquisa mostrou que a confiança é construída também por afeto e vínculo, e não apenas por evidências.
A última palestra do dia foi conduzida pela Profa. Dra. Kirsten Bevelander, e focou na experiência da “pesquisa inclusiva” nos Países Baixos, realizada com co-pesquisadores que possuem deficiências intelectuais. Nessa experiência, os pesquisadores têm a responsabilidade de criar as pré-condições adequadas para a colaboração e manter uma mente aberta para o aprendizado mútuo.
Ao final da tarde, foram realizados um debate, mesa redonda e um painel integrado.
Texto e Foto: Théo Gouvêa Filizzola


