publicado na AUN

11/06/2026 Andrey Furmankiewicz

[Imagem: Freepik]

Pesquisadores da Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP)
desenvolveram um aplicativo web inovador que funciona como um “assistente digital” para
dentistas. A ferramenta foi criada para auxiliar alunos de graduação e clínicos gerais a
navegarem no complexo processo de diagnóstico em endodontia (o popular “tratamento de
canal”), especialidade que trata das doenças da polpa dentária e dos tecidos ao redor da
raiz do dente. O sistema guia o profissional por uma série de perguntas e testes, sugerindo
ao final o diagnóstico mais provável e a melhor conduta de tratamento, com o objetivo de
aumentar a precisão e padronizar o atendimento.

A pesquisadora Shirley Maklane, criadora do projeto e doutoranda do Programa de Pós-
graduação da FOUSP (área de concentração em Endodontia), comenta, sobre a
complexidade em realizar diagnósticos nessa área, que: “O diagnóstico em endodontia
exige uma abordagem sistemática do paciente, incluindo anamnese, exame físico e exames
complementares. A combinação e a interpretação dessa variedade de dados clínicos
coletados são necessárias para estabelecer o correto diagnóstico e definir o plano de
tratamento mais adequado.”

O procedimento mais comum é o tratamento de canal, que visa tratar a infecção ou inflamação da polpa para salvar o dente que, de outra forma, poderia ser extraído [Imagem: Freepik]

O que é e como funciona o programa?

“O aplicativo foi desenvolvido para auxiliar alunos de graduação, dentistas clínicos-gerais e
endodontistas na tomada de decisão no diagnóstico em endodontia baseado na
classificação das doenças pulpares e periapicais proposta pela Associação Americana de
Endodontia. Durante o uso do aplicativo, o profissional é guiado por perguntas sequenciais
e informações que direcionam a coleta de dados dos pacientes, além de orientar o usuário
na realização dos testes clínicos e sugerindo um diagnóstico provável e tratamento”, comenta a doutoranda.

O acesso ao programa pode ser realizado em qualquer navegador da web e sistema
operacional, por meio de um link pelo navegador (URL), e possui a capacidade de se
adaptar a diferentes formatos de tela. Diferente dos apps tradicionais, o usuário não precisa
baixar nada na loja de aplicativos, o que economiza espaço na memória do dispositivo.

O duplo impacto: na sala de aula e no consultório

Para o estudante de odontologia, o aplicativo é uma ferramenta de aprendizado
fundamental, e serve como um guia para a execução dos protocolos corretos, como não
pular etapas nos procedimentos, além de ajudar o profissional a entender a lógica por trás
de cada diagnóstico. Até para os clínicos mais experientes, o projeto oferece uma grande
ajuda, como um checklist, garantindo que todo o processo seja seguido de forma
padronizada, aumentando a segurança e a chance de acerto no diagnóstico. No fim, quem
se beneficia ainda mais são os próprios pacientes, que recebem um tratamento mais rápido
e eficiente.
“Alunos de graduação em odontologia, dentistas clínicos-gerais e especialistas em
endodontia vão poder utilizar o aplicativo como ferramenta auxiliar na coleta de dados
sequencial do paciente e na realização dos testes clínicos, os quais são necessários para
obter o diagnóstico das doenças pulpares e periapicais”, completa Shirley.

app abre portas para que outras especialidades da odontologia também criem suas “ferramentas auxiliares” [Imagem: Freepik]

Resultados e expectativas para o futuro

A criação do app é uma abordagem promissora e inovadora para a área odontológica e,
apesar de não substituir o conhecimento e a decisão final do dentista, torna-se uma
ferramenta auxiliar que aumenta a efetividade de todo o processo. Atualmente, o aplicativo
possui uma versão em inglês e em português e se encontra na fase alfa – uma etapa de
testes com disponibilidade limitada para um pequeno grupo de pessoas, desenvolvedores e
parceiros do projeto, para verificarem as funcionalidades e coletarem feedbacks sobre a
situação atual em que o sistema se encontra e identificar possíveis erros.

“Etapas futuras envolvem a validação científica do programa por meio de um projeto piloto
com especialistas experientes em endodontia e em pesquisa clínica, com alunos de
graduação em odontologia e do curso de especialização em tratamento de canal, além de
dentistas clínicos-gerais. Ademais, uma nova versão será lançada com a nova terminologia
diagnóstica nessa área, a qual foi desenvolvida recentemente (2025) pela Associação
Americana de Endodontistas e a Sociedade Europeia de Endodontia. Desta forma, o
objetivo será promover um aplicativo validado baseado em informações confiáveis e
atualizadas, e incentivar o uso desta ferramenta entre alunos, clínicos e especialistas”
finaliza a doutoranda.