Com 23 anos de formação, a Profa. Dra. Mariana Aparecida Brozoski personifica uma trajetória de dedicação à Odontologia. Natural de Indaiatuba, interior de São Paulo, atuando na FOUSP, onde equilibra as funções de docente, pesquisadora e cirurgiã-dentista com a maternidade. Para ela, a definição de quem é fora do ambiente acadêmico é simples, mas profunda: uma pessoa extremamente apegada à família que busca “aproveitar a vida” e manter o “espírito de criança”.

Profa. Dra. Mariana Aparecida Brozoski – Foto: Carômetro FOUSP

Possui graduação em Odontologia pela UNESP (2003), Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, no HU/USP. Mestrado em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (2011) e Doutorado em Ciências Odontológicas – Área Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilo Facial (2015) pela FOUSP.

O interesse pela área em que atua surgiu ainda na graduação ao assistir a uma cirurgia ortognática. “Na hora que “abaixou” a maxila, eu olhei aquilo… me deu até borboletas na barriga. Eu achei aquilo muito legal”, relembra a professora, destacando o fascínio pela capacidade de reconstruir a face de um paciente.

Diferente de muitos relatos de mulheres em áreas onde ainda há predominância masculina, a Profa. Dra. Mariana encontrou na cirurgia um ambiente de naturalidade, graças ao exemplo de suas mentoras. Orientada por nomes como as docentes Marisa Aparecida Cabrini Gabrielli, Maria da Graça Naclério-Homem, Maria Cristina Zindel Deboni e Márcia Martins Marques, ela afirma que nunca teve dúvidas de que poderia ser cirurgiã e mãe ao mesmo tempo. “Para mim, nunca foi dúvida isso… a professora Marisa, que me orientou na iniciação científica, é mulher, mãe e cirurgiã”, pontua, reforçando que seus grandes pilares na carreira sempre foram mulheres.

Profa. Dra. Mariana Aparecida Brozoski com suas mentoras – Foto: Arquivo Pessoal/Profa. Dra. Mariana Brozoski

Os “pratos” da tripla jornada

A entrada na docência da FOUSP não foi um caminho linear. A docente conta que chegou a morar no Rio de Janeiro, onde seu marido — engenheiro da Escola Politécnica — trabalhava, e teve seus filhos por lá.

Ao retornar para São Paulo e ingressar na USP, a Profa. Dra. Mariana deparou-se com o desafio que chama de “equilibrar os pratinhos”: pesquisa, extensão e graduação, somados à maternidade.

“É impossível manter os três pratos no alto de uma vez só. Você tem que fazer o teu melhor naquele momento e não deixar nenhum prato quebrar”

Profa. Dra. Mariana Aparecida Brozoski

A maternidade, segundo ela, ensinou-lhe a lidar com a impossibilidade de ser perfeita em tudo ao mesmo tempo, mas mantendo o compromisso com seus pacientes, alunos e família.

Mesmo em regime de dedicação integral à docência (RDIDP), mantém o pé na prática clínica através de um convênio histórico com o Hospital Universitário da USP. Toda quinta-feira, atua no ambulatório didático, com
atendimento clinico e cirúrgico e participa como vice coordenadora do programa de residência. “Para quem gosta de cirurgia é muito difícil ficar somente em sala de aula”, explica, ressaltando o prazer de realizar procedimentos complexos, na área da bucomaxilofacial.

Foto: Arquivo Pessoal/Profa. Dra. Mariana Brozoski
Foto: Arquivo Pessoal/Profa. Dra. Mariana Brozoski

Recado à quem deseja seguir na cirurgia

Aos alunos do primeiro ano que a procuram querendo focar exclusivamente na cirurgia para pontuar na residência, o conselho da professora é que construa primeiro uma boa graduação. Segundo a docente, uma boa formação não se resume a acumular títulos para um certame, mas sim em ter disciplina e constância nos estudos, não deixar as oportunidades passarem, estando atento e presente nas aulas, e, sobretudo, desenvolver uma base sólida, pois o bom especialista depende do conhecimento das outras áreas para realizar um trabalho de excelência.

A professora reconhece que, tecnicamente, o esquema atual das provas de residência mudou em relação à sua época. Hoje, ter uma iniciação científica na área e trabalhos publicados ajuda muito na pontuação final. No entanto, ela esclarece dois pontos fundamentais para quem se interessou mais tarde na área:

1. Não é impossível ingressar: alunos que descobrem a paixão nos últimos anos de graduação podem ter menos pontos de currículo, mas a nota da prova ainda é soberana.

2. Foco não exclui o resto: mesmo quem foca na cirurgia deve aproveitar os cinco/seis anos para experimentar outras matérias, para descobrir suas verdadeiras paixões e entender os limites de cada procedimento.

A recomendação final da docente é que os estudantes não neguem oportunidades no começo da jornada acadêmica. Ela sugere que o aluno “tope tudo” e veja se faz sentido dentro dos limites que ele mesmo estabeleceu, em vez de se fechar em uma única área por medo de não ter um currículo competitivo no futuro.

Para as alunas que sonham com a área, o conselho da professora é de encorajamento e desmistificação. Ela defende que a cirurgia não depende de força, mas de técnica, estudo e destreza manual. “Cirurgia é assexual…ela não depende do seu gênero”, afirma, ressaltando que a capacidade intelectual e a confiança são as chaves para a liderança em equipes cirúrgicas.

Sua mensagem final para a nova geração de cirurgiãs-dentistas é clara: “Não aceite limites que não seja você que tenha imposto”. A marca que deseja deixar é a de que é possível ser feliz e realizada unindo a ousadia da juventude com a sabedoria da experiência.


Texto: Théo Gouvêa Filizzola

Fotos: arquivo pessoal