publicado no Jornal da USP

A Cátedra IA Responsável, do Instituto de Estudos Avançados da USP, terá como primeiro catedrático o engenheiro e economista Carlos Américo Pacheco

Por Erika Yamamoto

[A partir da esquerda] Roseli de Deus Lopes, Fábio Coelho, Ana Estela Haddad, Carlos Gilberto Carlotti Junior, Carlos Américo Pacheco, Maria Arminda do Nascimento Arruda e Glauco Arbix – Foto: Marcos Santos/USP IMagens

Com o propósito de fomentar a pesquisa sobre o impacto e os riscos do desenvolvimento da inteligência artificial e contribuir para o desenvolvimento de soluções pensadas especificamente para a realidade brasileira, a USP e o Google Brasil uniram esforços e inauguraram ontem, dia 2 de dezembro, a Cátedra IA Responsável.

Com sede no Instituto de Estudos Avançados (IEA), a Cátedra será um espaço permanente de debate, intercâmbio internacional e produção de pesquisas sobre o uso da inteligência artificial de forma ética, segura e inclusiva, sem bloquear o potencial de inovação. A Cátedra também deverá oferecer bolsas de estudos em diversas áreas como Ciência da Computação, Engenharia, Direito, Sociologia, Filosofia e Artes e promoverá um debate público por meio de eventos e publicações conjuntas.

“Esse é o início de uma parceria de muito sucesso, tanto do ponto de vista técnico quanto em relação à discussão sobre a responsabilidade no desenvolvimento da inteligência artificial. O IEA tem o propósito de ser um ponto de encontro para que pessoas de diferentes áreas do conhecimento, não só da academia, mas também das empresas e da sociedade, possam trabalhar juntas para avançar mais rapidamente”, afirmou a diretora do IEA, Roseli de Deus Lopes.

O presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, lembrou que “o Google nasceu dentro de uma universidade e nossas soluções são desenvolvidas por pessoas que são excelentes em termos acadêmicos. Neste momento, em que o Google celebra os 20 anos de atuação no Brasil, inauguramos essa Cátedra, que é um exemplo de iniciativas que podem nos ajudar a criar um Brasil mais forte, um Brasil produtor de soluções. E isso só acontece quando unimos a capacidade de empreender, a capacidade de articular o pensamento e a capacidade de produção técnica. Temos a oportunidade de, por meio da tecnologia, alterarmos a vida dos nossos cidadãos, proporcionando uma cidadania mais plena”.

Coelho também ressaltou que o campus de São Paulo do Google for Startups está sendo transferido para o espaço Google do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Cidade Universitária, aproximando a tecnologia de aceleração de desenvolvimento empresarial com a capacidade acadêmica de alunos, pesquisadores e docentes da Universidade.

O reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, reforçou que “as Cátedras foram criadas na USP para trazer pessoas que tenham um conhecimento notório em uma área e que possam compartilhar sua experiência com nossos pesquisadores. Esse modelo tem se replicado com muito sucesso na Universidade, dando dinamismo às nossas pesquisas, trazendo novas possibilidades de colaboração com a sociedade. A USP está sempre aberta para contribuir para um Brasil melhor, para uma sociedade melhor, esse é o objetivo da nossa Universidade”.

A cerimônia de inauguração da Cátedra IA Responsável foi realizada na Sala do Conselho Universitário da USP e contou com a presença da secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde e professora da Faculdade de Odontologia (FO), Ana Estela Haddad, que integrará o Conselho da Cátedra. Também prestigiaram a solenidade a vice-reitora da USP, Maria Arminda do Nascimento Arruda; o ex-diretor do IEA, Guilherme Ary Plonski; e outros representantes das três esferas governamentais, de instituições de pesquisa e do setor produtivo.

Cátedra IA Responsável

O professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Glauco Arbix, coordenador acadêmico e idealizador da iniciativa, fez a saudação ao primeiro titular da Cátedra IA Responsável, o engenheiro e economista Carlos Américo Pacheco, que tomou posse durante a solenidade.

“A pesquisa em IA avança muito. Investimentos gigantescos estão sendo feitos e não sabemos exatamente quais serão os próximos passos, mas sabemos que a IA vai mudar o mundo em uma dimensão absurda e mudará tudo, a natureza das atividades humanas, toda a sociedade. Responsabilidade significa que as aplicações da IA sejam seguras, protejam a privacidade e avancem na mitigação de riscos, assegurando que o desenvolvimento da IA seja guiado por princípios éticos e supervisionados por modelos robustos de governança. Esperamos que esta Cátedra seja um espaço de discussões aprofundadas sobre esses desafios e nos ajude a iluminar as escolhas que teremos que fazer”, afirmou Pacheco, em seu discurso de posse.

Carlos Américo Pacheco tomou posse como primeiro titular da Cátedra IA Responsável – Foto: Marcos Santos/USP IMagens

Em seu primeiro ano, as atividades da Cátedra IA Responsável serão organizadas em torno de quatro temas: Regulação e sandbox regulatório, para discutir modelos internacionais, equilibrar controle e inovação e negociar com USP e Google um arcabouço jurídico para experimentação; Mercado de trabalho, que deverá analisar impactos sobre postos, renda e qualificações, além de mapear talentos e propor ações de formação; Mapeamento de incidentes, que deverá criar parcerias com instituições e imprensa para formar um observatório que dê concretude ao debate sobre IA responsável; e Startups e políticas de apoio, para acompanhar o ecossistema empreendedor e propor iniciativas específicas.

O catedrático

Nascido em Curitiba, Carlos Américo Pacheco formou-se em Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 1979, e fez o mestrado (1988) e o doutorado (1996) em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2005, fez pós-doutorado na Columbia University, Estados Unidos.

É professor do Instituto de Economia e do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e desenvolve pesquisas nas áreas de economia urbano-regional, economia industrial, tecnológica e da inovação.

Além da carreira acadêmica, Pacheco exerceu diversos cargos administrativos em instituições de ensino e pesquisa, atuando de forma expressiva na formulação e implantação de políticas de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Foi secretário-executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia e presidente do Conselho de Administração da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), de 1999 a 2002; secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, em 2007; reitor do ITA, de 2011 a 2015; diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), de 2015 a 2016; e diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), de 2016 a 2025.