Ocorreu, dia 28 de novembro de 2025, a 25ª edição da Jornada Odontológica do Centro de Atendimento a Pacientes Especiais (JoCAPE), no Auditório István Jancsó, localizado na Biblioteca Brasiliana da USP. 

Com cerca de 220 inscritos, o evento reuniu profissionais da área, alunos de graduação e pós, residentes e estagiários do CAPE, em torno do tema prevenção

A abertura foi realizada pela Profa. Dra. Marina Helena Cury Gallottini, docente do Departamento de Estomatologia e Secretária-Geral da USP; Profa. Dra. Maria Cristina Zindel Deboni, docente do Departamento de Cirurgia, Prótese e Traumatologia Maxilofaciais e Vice-Diretora da FOUSP; Prof. Dr. Carlos Adde, docente do Departamento de Estomatologia e presidente da FUNDECTO; Profa. Dra. Karem Lopez Ortega, docente do Departamento de Estomatologia e Coordenadora da JoCAPE e Vice-Coordenadora do CAPE.

As palestras abordaram temas diversos e enriqueceram o público presente de conhecimento, inovações e reflexões. 

  • Prof. Dr. Paulo Frazão (FSP-USP): focou no atendimento odontológico da pessoa com deficiência no SUS. De acordo com ele, a implementação completa do direito à saúde no Brasil depende do fortalecimento do exercício da cidadania, da necessidade de participação social, da integração de serviços e do financiamento
  • Prof. Dr. Paulo Nadanovsky (UERJ – FIOCRUZ): palestrou sobre o “Sobrediagnóstico e sobretratamento na odontologia e a relação com a prática baseada em evidência”, em que, de acordo com ele, a premissa “quanto mais melhor”, gerou um crescimento insustentável dos serviços de saúde, transformando as pessoas em “pacientes perpétuos”, sujeitos a constante vigilância, monitoramento e intervenção, muitas vezes não tendo real necessidade.
  • Profa. Dra. Inmaculada Tomáz Carmona (USC): focou na experiência tripla (docente, clínica e investigativa) de sua instituição na disciplina de OPNE. Para a professora, a área se distancia de soluções rápidas e invasivas, estando mais para “um jardineiro paciente”. Em sua comparação, ao invés de cortar, imediatamente, uma árvore doente (tratamento cirúrgico), o jardineiro investe tempo e dedicação, conhecendo as peculiaridades do solo (o paciente), controlando pragas (manejo comportamental) e fornecendo nutrição constante (prevenção e higiene) para que a árvore se fortaleça e o corte seja a última e mais rara das opções.
  • Dr. João Augusto Sant’Anna (CRO-SP): abordou a gestão clínica, principalmente no que tange a documentação e proteção legal do cirurgião-dentista. Entre os pontos chave de sua apresentação, estão: termo de consentimento livre e esclarecido; prontuário e documentação clínica; e tomada de registros e fotos, bem como seu armazenamento vitalício. O conselheiro terminou dizendo: “se não está nos autos, não está no mundo”.
  • Prof. Dr. Jaime Aparecido Cury (FOP-Unicamp): focou no controle da cárie e no papel essencial do flúor na prevenção da doença. Sua palestra reforçou, ainda, que o flúor utilizado na odontologia não causa doenças sistêmicas e é a única substância conhecida capaz de mitigar o efeito do açúcar nos dentes.
  • Profa. Dra. Daniela Prócida Raggio (FO-USP): focou na importância da preservação máxima da estrutura dental saudável, intervindo apenas quando necessário. De acordo com ela, a mínima intervenção é: “Uma abordagem baseada em diagnóstico preciso, prevenção e preservação da integridade dental.”
  • Profa. Dra. Maria Aparecida Moreira Machado (FOB-USP): abordou, sob uma visão humana e contemporânea, as diversas composições familiares, em especial as atípicas, evidenciando os desafios vivenciados por elas. É uma abordagem inspiradora que reconhece, acolhe e valoriza as múltiplas realidades das famílias na atualidade.

Ao longo do dia, houve a apresentação de 60 painéis de trabalhos científicos (sendo pesquisa ou caso clínico), veiculados de forma digital, novidade desse ano.

Texto e Foto: Théo Gouvêa Filizzola

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